Preparo impulsiona ovinocultura e renda em Campo Grande – CGNotícias

Maio 6, 2026 Não Por admin

A organização da cadeia produtiva da ovinocultura em Campo Grande ganha novo impulso com a realização do segundo embarque de ovinos por meio da PDOA (Propriedade de Descanso de Ovinos para Abate), localizada no Assentamento Estrela. Uma política pública que vem estruturando a comercialização e garantindo mais eficiência ao setor.

A PDOA foi criada para permitir que pequenos produtores, que individualmente não atingem volume suficiente, possam reunir seus animais em um lote padronizado, atendendo às exigências da indústria e viabilizando o acesso ao mercado formal.

Na prática, o modelo funciona como um ponto de apoio onde os animais são recebidos, identificados e preparados para o embarque coletivo. A estrutura segue critérios sanitários definidos pelos órgãos de controle, com adequações como curral, bebedouros e procedimentos obrigatórios de manejo, garantindo segurança e rastreabilidade em todo o processo.

Outro aspecto fundamental é a padronização dos animais. Para atender à indústria, é necessário que os ovinos tenham características semelhantes, como peso, idade e acabamento, o que exige planejamento por parte dos produtores e acompanhamento técnico.

Neste segundo embarque, três produtores participaram da operação, reunindo 12 animais destinados ao frigorífico, todos dentro das exigências estabelecidas.

Ao contextualizar o funcionamento da iniciativa, a técnica da Gerência de Desenvolvimento Agrário e Abastecimento da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), Thainara Farias da Rocha, explicou “Os produtores trazem pequenos rebanhos para formar um lote padrão, assim conseguem atingir o volume necessário para a comercialização e o escoamento dessa produção. O maior desafio é fazer com que os produtores tenham animais dentro do mesmo padrão que a indústria pede, para que todos consigam atender à demanda ao mesmo tempo”.

Para os produtores, a mudança já é percebida na rotina da atividade.

O criador Cléber Rodrigues, da propriedade Jóia da Índia, relata que a forma de comercialização evoluiu significativamente com a PDOA “Antes a gente vendia mais no fim do ano, quando tinha procura, agora já é o terceiro abate que fizemos em menos de um mês, e isso fez os animais começarem a se pagar, porque antes ficavam o ano inteiro só gerando custo”.

Já o produtor Ademir Garcia da Silva, da Estância Hoara, destaca que a união entre os criadores é determinante para viabilizar a venda Sozinho muitas vezes não consegue atender o volume que o comprador pede, e juntando os produtores fica mais fácil comercializar, principalmente para quem está começando”.

Ao destacar a importância da política pública para o desenvolvimento rural, o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, enfatizou “Estamos estruturando uma cadeia produtiva que gera renda, fortalece o pequeno produtor e organiza o mercado, criando oportunidades reais para quem vive no campo”.

Com a implantação da PDOA, Campo Grande passa a se destacar como referência na ovinocultura, demonstrando que é possível unir organização produtiva, inclusão social e desenvolvimento econômico por meio de uma política pública efetiva, ampliando renda, fortalecendo o mercado local e impulsionando um novo ciclo de desenvolvimento sustentável no campo.

A iniciativa é fruto de uma articulação integrada entre Governo do Estado, pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), Sistema Famasul e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com foco na qualificação e fortalecimento da agricultura familiar.